Uma análise sobre o cenário econômico e político brasileiro permeou os debates da Conferência Magna do segundo dia da 24ª Conferência Nacional da Advocacia Brasileira, realizada nesta terça-feira (28/11). Na oportunidade, o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, elogiou o atual momento da economia brasileira.

De acordo com ele, no início deste ano, a taxa Selic estava em 13,75% ao ano para uma inflação esperada de 6% no período. Isso significa que o Brasil começou 2023 com uma taxa de juros real de 8%, o que não refletia a realidade econômica do país. A novidade é que o Banco Central começou a baixar a taxa de juros, embora lentamente. Por isso, o país deve terminar este ano com uma taxa de juros de 11,75% para uma inflação esperada para o próximo ano de 4%.

Segundo Mansueto Almeida, os juros nominais caíram dois pontos percentuais, mas a expectativa da inflação também. Assim, 2024 deve começar com a mesma taxa real de 2023. “Isso não pode ser considerado normal. A taxa de juros brasileira vem sendo influenciada pela alta remuneração dos títulos do governo norte-americano, que impacta a economia mundial como se fosse uma placa tectônica que se desloca lá, reverberando em todo o planeta”, explicou.

Ainda de acordo com o economista, a taxa de juros que o Tesouro americano paga ao investidor está em seu maior nível desde 2006. Isso significa juros reais de cerca de 2,5%. Parece uma taxa baixa, mas só parece. Nos últimos dez anos, ela era próxima de 0%. Só agora o patamar está começando a cair, o que facilita a queda de juros também no Brasil. Ele explicou que se o cenário de queda da inflação se confirmar, em algum momento o Banco Central terá que acelerar a queda da Selic. 

Atualmente, segundo Mansueto Almeida, a expectativa do mercado é encerrar 2024 com uma taxa de juros de 9% ano. “Se isso acontecer, será muito positivo”, comemorou.

O especialista ressaltou, também, que quando um investidor estrangeiro decide aportar recursos no Brasil, ele não compara o país com Estados Unidos ou Alemanha, mas sim com economias emergentes como Colômbia, Chile, México, China e Turquia. “Somos vistos como um país que fez reformas importantes como a da previdência, a independência do Banco Central, que criou agências reguladoras, conta com marcos reguladores importantes, além da reforma tributária. “Não estamos envolvidos em conflitos e nem temos altos gastos com segurança nacional.  Quando se olha para tudo isso, além dos investimentos em energia renovável, a atratividade brasileira cresce, ao lado da do México”, pontuou.

Expectativa e desafio para 2024

No entendimento do palestrante, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o ano que vem vai depender da queda da taxa Selic. “Em 2023, o crescimento do primeiro semestre foi puxado pela supersafra do agronegócio, que produziu 371 bilhões de toneladas. No ano que vem a expectativa é um avanço de 2% nesse resultado. Um debate delicado para o ano que vem, porém, é a questão fiscal”, disse. Porém, Mansueto Almeida não acredita em zerar o déficit do país, mas já avisa que o mercado ficará bastante satisfeito se esse déficit ficar na casa dos R$ 150 bilhões.

O grande desafio do país nos próximos anos, segundo o economista-chefe do BTG Pactual, é a educação. “Precisamos melhorar a qualidade da educação no Brasil. Hoje, contamos com 203 milhões de habitantes. “Um grande problema daqui para frente será a falta de mão de obra. Será preciso que haja direito a creches e não podemos mais falar de investimentos sem incluir a educação”, observa. A formação de mão de obra será o maior desafio do Brasil nos próximos dez anos porque a população está envelhecendo depressa”, concluiu. 

O debate foi mediado pela consultora política Cila Schulman.

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