O Encontro da Jovem Advocacia do Mercosul, promovida nesta terça-feira (28/11) , segundo dia da 24ª Conferência Nacional da Advocacia Brasileira, proporcionou aos participantes debates sobre os desafios (como a dificuldade de se captar clientes devido ao grande número de cursos de Direito e da baixa qualidade do ensino) que se apresentam aos iniciantes na profissão nos quatro países do Cone Sul: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. 

“É preciso nunca desistir de lutar e de combater o bom combate e a boa causa”, orientou a ex-presidente da OAB-RS e medalha Rui Barbosa Cléa Carpi, que integrou a mesa de discussões. De acordo com José Luís Lassale, presidente da Federação Argentina do Colégio de Advogados (Faca), “a escolha da profissão deve ser feita por vocação e para cumprir uma função social, que não deve ser meramente comercial ou pela comodidade de cumprir seis horas de um trabalho burocrático”, alertou. Ele ainda falou aos advogados experientes que “é preciso deixar para nossos jovens a mesma advocacia com que nós sonhamos”.

O relator da mesa e presidente do Conselho de Colégios e Ordens de Advogados do Mercosul (Coadem), José Augusto de Noronha, citou como entrave à empregabilidade dos jovens advogados a assimetria entre as legislações e colegiados de entidades dessas nações que compõem o Mercosul, bloco econômico e político que completou 32 anos. 

Uniformização

Em concordância com ele, o vice-presidente do Colégio de Advogados de San Nicolás (Buenos Aires, Argentina), Ricardo de Felipe, afirmou que “é necessário harmonizar as legislações dos quatro países, criando uma normativa que reúna a atividade profissional dentro do âmbito do Mercosul”.

“Somos povos hermanos e isso não é pouco”, reforçou o conselheiro vitalício do Coadem na Argentina Carlos Andreucci, que contou ter recebido o seu diploma aos 22 anos de idade, ano anterior ao golpe militar em seu país. 

“É preciso ser tolerante. Escutar o outro não é fácil”. Nossos países atravessaram os mesmos problemas trazidos pela pandemia do Covid-19 e abrimos uma janela grande, aprendendo a despachar dentro de nossos próprios escritórios. O que nos falta é debater sobre um plano igualitário entre os países”, defendeu o membro honorário vitalício da OAB Roberto Busatto. 

No entendimento da advogada Fernanda Valério, as dificuldades para a entrada no mercado de trabalho estão ganhando novos aspectos atualmente. “Há uma entrega maior do jovem advogado que está aqui, hoje, dividindo a atenção entre ouvir as palestras, fazer anotações e responder o cliente no WhatsApp. Mais do que aquele que já está mais estabilizado e que deixou outro advogado no seu escritório ou que está vendo as palestras pelas gravações”, comparou.

Representantes da advocacia estrangeira no Uruguai, Patrícia Mendes e Noeme Vaz Zeballos, discorreram sobre a dificuldade de tratar de captar clientes por meio das redes sociais e os novos desafios trazidos pela tecnologia. “Vamos ter que desenvolver novas habilidades de comunicação e aparatos para nos comunicarmos com outros clientes”, destacou Zeballos.

Compliance 

Já a presidente da Comissão de Compliance e Anticorrupção Empresarial da OAB-PR, Mariana Keppen, encerrou os debates trazendo uma opção promissora para os advogados em início de carreira, que é a área do compliance nas empresas que buscam se adequar às leis, normas e regras. “É algo novo, que ainda não se aprende na faculdade, mas oferece um mercado em crescimento, com necessidade crescente de novos profissionais”, sugeriu.

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